Um José Serra com a faca nos dentes. Bem longe do clima modorrento do debate na TV Band, há duas semanas, o debate UOL-Folha, o primeiro embate pela internet da história política brasileira, trouxe um pouco mais de calor à discussão eleitoral. Especialmente pela postura do candidato do PSDB. Acuado pelos resultados das últimas pesquisas, que apontam para o início de uma vantagem ampla da candidata do PT, Dilma Rousseff, com possibilidade de até de vitória no primeiro turno, Serra saiu das cordas e partiu para o ataque. Ao ser mais contundente, acabou fazendo Dilma assumir também essa postura. Assistindo em posição privilegiada, Marina Silva, do PV, chegou a dizer que ambos estavam ensaiando “cenas de pugilato”. Ao final, porém, Marina acabou dando também suas estocadas, ao não reconhecer “grandes diferenças” entre Serra e Dilma.
O primeiro ataque de Serra sobre Dilma foi logo no primeiro bloco. Serra respondia a uma pergunta feita por Dilma, que questionava o fato de o DEM ter entrado com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Prouni, o programa que concede bolsas a universitários. Serra fugiu de comentar as razões ou erros do DEM.
Na sua resposta, porém, igualou qualquer possibilidade de a ação do seu partido parceiro na campanha ter sido irresponsável. Lembrou o fato de o PT ter sido contra a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, contra a Constituição, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Em matéria de quanto pior, melhor, o PT é campeão”, bateu Serra.
A resposta de Dilma ensejou a primeira de duas admissões que poderão vir a ser exploradas agora por Serra na campanha eleitoral. Dilma reconheceu que o PT errou em todas essas acusações. “A diferença é que o PT reconhece seus erros”, disse ela. Mais tarde, ela fez um reconhecimento que foi mais comemorado pelos assessores de Serra: admitiu que a conquista da estabilidade econômica no Brasil foi obtida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, com o Plano Real.
Ela, porém, fez ressalvas: “Foi uma estabilidade com problemas. A estabilidade econômica com crescimento, fomos nós que conseguimos”, disse Dilma. Os assessores de Serra, porém, avaliaram que a admissão permite agora uma exploração mais positiva da era Fernando Henrique, que era visto até agora na campanha como um vilão.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), minimizou o tom mais pesado contra Dilma usado por Serra. “Ele só falou algumas verdades”, disse. Para Sérgio Guerra, Serra começou mais tenso, mas acabou o debate mais solto. Dilma, ao contrário, acabou mais tensa, especialmente depois das perguntas feitas pelos internautas. “Ela ficou nervosa com as perguntas, e ainda leu suas considerações finais. Ora, uma candidata que tem que ler seu discurso de saudação aos eleitores?”, questionou Sérgio Guerra.
Houve ainda outros ataques. Serra acusou claramente o PT de ter feito dossiês contra ele (nas eleições passadas, no episódio que ficou conhecido como “aloprados”) e agora contra o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Dilma respondeu com dureza: “Nós temos processado todos que nos caluniam. Quem acusa, tem que provar”, disse ela.
Os ataques mais fortes no início a José Serra passaram a impressão de que Marina Silva, do PV, fazia uma dobradinha com Dilma. Marina disse que o PSDB, em 20 anos de governo em São Paulo, nada fizera pela educação na cidade. Depois, criticou o fato de Serra ter usado em seu programa eleitoral uma favela virtual, com “tanta favela real” que ele poderia usar. Mas,no fim, Marina reservou também uma estocada para Dilma, criticando o fato de ela ser chamada de “mãe do PAC”. “Estão infantilizando a política brasileira com essa história de mãe, tio”, atacou. (congressoemfoco)





