
Meia respondeu ao jornalista Juca Kfouri pedindo respeito "como um cara que crê em Jesus Cristo"
Kaká, o principal jogador da seleção, falou para mais de 200 jornalistas sem fugir de nenhuma pergunta, nem daquelas sobre os dois assuntos que o tiram realmente do sério: religião e contusão no púbis.
Resultado: a entrevista mais quente de um jogador brasileiro na África do Sul até agora. Pressionado para voltar a jogar como um dos melhores do mundo, apesar de uma lesão que vai e volta, e desgastado por um mês de clausura, o astro que foi expulso na partida passada exala tensão.
Por isso, revelou um lado que a torcida não está acostumada a ver. Como um dos fiéis soldados do comandante Dunga, mostrou que sabe bater com as palavras e, se preciso, bater de verdade, em campo. Veja os principais trechos da entrevista.
PARADA PREJUDICIAL
“A expulsão prejudica, sim. Atrapalha a evolução de jogos que eu vinha tendo. Posso ter uma semana para trabalhar fortalecimento, potência, força. Melhorar a forma física, para estar pronto para jogar as oitavas de final. A recuperação vinha sendo muito boa. Consegui dar minhas arrancadas características contra a Costa do Marfim, me sentindo mais confortável dentro de campo. Realmente senti alívio depois da última partida. Nos amistosos não estava tão à vontade. No primeiro jogo, pela ansiedade, também. No segundo, já fiz várias coisas que estou acostumado a fazer.”
BALEADO
“Passei por muitas dificuldades físicas nesta temporada. Isso pra mim é o pior. Sempre procurei ter a vida de atleta. Sei da importância de um bom condicionamento físico. E incomodava não atingir o meu auge físico. Quanto às cobranças, atingi um patamar onde tenho de estar preparado para elas.”
NERVOS À FLOR DA PELE
“Daqui pra frente, vou me policiar mais… Não quero correr riscos. Mas ninguém tem sangue de barata. Nosso grupo é tranquilo. Minha atitude não foi violenta, mas nunca vão ver a seleção retroceder quando tiver confronto físico. Não vai dar porrada, mas não vai fugir de divididas, de um contato mais forte, essas coisas”, disse o meia, numa demonstração de que incorporou o estilo Dunga. Ele afirmou também que achou sua expulsão contra a Costa do Marfim injusta. “Se eu tivesse tido culpa, falaria ao grupo: ‘Desculpe, fui irresponsável num jogo de Copa do Mundo’. Mas não foi isso o que aconteceu. É só ver o relatório da Fifa: ele diz que tomei o segundo cartão amarelo, por isso tomei o vermelho. Um jogo de suspensão. Nada de cotovelada ou agressão. Não sou de dar porrada, carrinho, mas levantar, discutir, faz parte. É de alguém que quer ganhar de qualquer jeito.”
PUBALGIA
“A grande maioria dos médicos não aconselha a cirurgia [o São Paulo não opera seus atletas com pubalgia há anos]. Quando terminar a Copa, farei uma avaliação profunda do problema para decidir [se faz a cirurgia]. Sinto dores após as partidas, mas dores normais que todos sentem, não na região do púbis. Não me atrapalha e não interfere em nada nos jogos.” Dessa maneira, Kaká admite que sua pubalgia é crônica e demonstra que já procurou muitos médicos para tentar solucioná-la. Mesmo assim, ele se irrita quando alguém diz que ele tem um problema crônico no púbis.
RELIGIÃO
O momento mais tenso aconteceu quando o jornalista André Kfouri, da ESPN, perguntou sobre a suposta pubalgia crônica que o faria jogar com dores. Demonstrando nervosismo, o meia atacou o jornalista Juca Kfouri, pai de André, que, em artigo na Folha de S.Paulo, comparou a lesão de Kaká à lesão que prejudicou a carreira do tenista Gustavo Kuerten. “Gostaria de responder à coluna do teu pai. Há algum tempo os canhões de teu pai têm me atingido. Infelizmente, o motivo pelo qual teu pai me ataca não é profissional, deixou claro que o problema dele é dizer da minha fé. Do mesmo jeito que respeito seu pai como ateu, eu quero que ele me respeite como um cara que crê em Jesus Cristo, como milhões de brasileiros que acreditam em Jesus Cristo.”
FORA CONTRA PORTUGAL
Mesmo suspenso, Kaká viajará de Joanesburgo a Durban para o jogo contra Portugal, na sexta-feira. “Vou tentar ajudar sendo um exemplo ativo de trabalho e também falando, motivando quem for entrar no meu lugar no jogo tão difícil contra Portugal. Vou falar e agir.”
O RIVAL DO MATA-MATA
“Tenho acompanhado os jogos do outro grupo. Muito equilíbrio. O Chile joga mais. A Suíça é mais fechada, explora o contra-ataque. E a Espanha tem jogadores maravilhosos. Mas o principal é que o Brasil seja o Brasil. O Brasil que enfrentou a Costa do Marfim.”
ENTREVISTAS RESTRITAS
Kaká explicou o fato de a seleção não dar entrevistas exclusivas. “Todo mundo, jogadores e comissão técnica, conversou e a gente decidiu que seria dessa forma. Muitos já foram a Madri, não tem problema lá e é assim”. Se todos combinaram não dar entrevistas exclusivas, Robinho feriu a regra ao falar para o Jornal Nacional na última folga.
JOGANDO PARA A TORCIDA
“Depois do jogo contra a Costa do Marfim, vi imagens de Copacabana. Foi uma emoção indescritível. É pra essas pessoas que a gente joga. Na Copa de 94, eu tinha 12 anos e torcia. Meu filho tem 2 anos, veste a camisa da seleção e grita: ‘Brasil’. As crianças, às vezes, nem sabem o que está acontecendo, mas torcem. É isso que motiva o jogador a entrar em campo com dores.”
Kaká, o principal jogador da seleção, falou para mais de 200 jornalistas sem fugir de nenhuma pergunta, nem daquelas sobre os dois assuntos que o tiram realmente do sério: religião e contusão no púbis.
Resultado: a entrevista mais quente de um jogador brasileiro na África do Sul até agora. Pressionado para voltar a jogar como um dos melhores do mundo, apesar de uma lesão que vai e volta, e desgastado por um mês de clausura, o astro que foi expulso na partida passada exala tensão.
Por isso, revelou um lado que a torcida não está acostumada a ver. Como um dos fiéis soldados do comandante Dunga, mostrou que sabe bater com as palavras e, se preciso, bater de verdade, em campo. Veja os principais trechos da entrevista.
PARADA PREJUDICIAL
“A expulsão prejudica, sim. Atrapalha a evolução de jogos que eu vinha tendo. Posso ter uma semana para trabalhar fortalecimento, potência, força. Melhorar a forma física, para estar pronto para jogar as oitavas de final. A recuperação vinha sendo muito boa. Consegui dar minhas arrancadas características contra a Costa do Marfim, me sentindo mais confortável dentro de campo. Realmente senti alívio depois da última partida. Nos amistosos não estava tão à vontade. No primeiro jogo, pela ansiedade, também. No segundo, já fiz várias coisas que estou acostumado a fazer.”
BALEADO
“Passei por muitas dificuldades físicas nesta temporada. Isso pra mim é o pior. Sempre procurei ter a vida de atleta. Sei da importância de um bom condicionamento físico. E incomodava não atingir o meu auge físico. Quanto às cobranças, atingi um patamar onde tenho de estar preparado para elas.”
NERVOS À FLOR DA PELE
“Daqui pra frente, vou me policiar mais… Não quero correr riscos. Mas ninguém tem sangue de barata. Nosso grupo é tranquilo. Minha atitude não foi violenta, mas nunca vão ver a seleção retroceder quando tiver confronto físico. Não vai dar porrada, mas não vai fugir de divididas, de um contato mais forte, essas coisas”, disse o meia, numa demonstração de que incorporou o estilo Dunga. Ele afirmou também que achou sua expulsão contra a Costa do Marfim injusta. “Se eu tivesse tido culpa, falaria ao grupo: ‘Desculpe, fui irresponsável num jogo de Copa do Mundo’. Mas não foi isso o que aconteceu. É só ver o relatório da Fifa: ele diz que tomei o segundo cartão amarelo, por isso tomei o vermelho. Um jogo de suspensão. Nada de cotovelada ou agressão. Não sou de dar porrada, carrinho, mas levantar, discutir, faz parte. É de alguém que quer ganhar de qualquer jeito.”
PUBALGIA
“A grande maioria dos médicos não aconselha a cirurgia [o São Paulo não opera seus atletas com pubalgia há anos]. Quando terminar a Copa, farei uma avaliação profunda do problema para decidir [se faz a cirurgia]. Sinto dores após as partidas, mas dores normais que todos sentem, não na região do púbis. Não me atrapalha e não interfere em nada nos jogos.” Dessa maneira, Kaká admite que sua pubalgia é crônica e demonstra que já procurou muitos médicos para tentar solucioná-la. Mesmo assim, ele se irrita quando alguém diz que ele tem um problema crônico no púbis.
RELIGIÃO
O momento mais tenso aconteceu quando o jornalista André Kfouri, da ESPN, perguntou sobre a suposta pubalgia crônica que o faria jogar com dores. Demonstrando nervosismo, o meia atacou o jornalista Juca Kfouri, pai de André, que, em artigo na Folha de S.Paulo, comparou a lesão de Kaká à lesão que prejudicou a carreira do tenista Gustavo Kuerten. “Gostaria de responder à coluna do teu pai. Há algum tempo os canhões de teu pai têm me atingido. Infelizmente, o motivo pelo qual teu pai me ataca não é profissional, deixou claro que o problema dele é dizer da minha fé. Do mesmo jeito que respeito seu pai como ateu, eu quero que ele me respeite como um cara que crê em Jesus Cristo, como milhões de brasileiros que acreditam em Jesus Cristo.”
FORA CONTRA PORTUGAL
Mesmo suspenso, Kaká viajará de Joanesburgo a Durban para o jogo contra Portugal, na sexta-feira. “Vou tentar ajudar sendo um exemplo ativo de trabalho e também falando, motivando quem for entrar no meu lugar no jogo tão difícil contra Portugal. Vou falar e agir.”
O RIVAL DO MATA-MATA
“Tenho acompanhado os jogos do outro grupo. Muito equilíbrio. O Chile joga mais. A Suíça é mais fechada, explora o contra-ataque. E a Espanha tem jogadores maravilhosos. Mas o principal é que o Brasil seja o Brasil. O Brasil que enfrentou a Costa do Marfim.”
ENTREVISTAS RESTRITAS
Kaká explicou o fato de a seleção não dar entrevistas exclusivas. “Todo mundo, jogadores e comissão técnica, conversou e a gente decidiu que seria dessa forma. Muitos já foram a Madri, não tem problema lá e é assim”. Se todos combinaram não dar entrevistas exclusivas, Robinho feriu a regra ao falar para o Jornal Nacional na última folga.
JOGANDO PARA A TORCIDA
“Depois do jogo contra a Costa do Marfim, vi imagens de Copacabana. Foi uma emoção indescritível. É pra essas pessoas que a gente joga. Na Copa de 94, eu tinha 12 anos e torcia. Meu filho tem 2 anos, veste a camisa da seleção e grita: ‘Brasil’. As crianças, às vezes, nem sabem o que está acontecendo, mas torcem. É isso que motiva o jogador a entrar em campo com dores.”
Fonte: Revista Abril | Placar



